sábado, 31 de outubro de 2009

Deco voltou!

A boa notícia dessa semana no Chelsea é o retorno do meia Deco. Depois de meses sem jogar ou jogando pouco, o jogador português voltou como titular na vitória de 4 a 0 sobre o Bolton pelas oitavas-de-final da Copa da Liga Inglesa. O meia foi um dos destaques da equipe e até fez seu golzinho.

Hoje, no fim de semana, novamente contra o Bolton, mas em jogo válido pela Premier League, Deco também começou entre os titulares, o que mudou um pouco a maneira de jogar dos Blues. Com ele em campo, o time jogou sem os pontas abertos pelos lados. O meio foi formado por Essien, Ballack pela direita, Lampard pela esquerda e Deco jogando centralizado. No primeiro tempo, o camisa 20 não foi bem - participou pouco do jogo, se limitando a dar passes de lado.

Na segunda etapa, Deco melhorou sua produtividade, principalmente quando jogou mais recuado, sendo a principal opção do Chelsea na saída de bola. Mais atrás, ele foi o motorzinho dos Blues e foi premiado num contra-ataque mortal, quando fez seu gol.

Resta saber agora se Ancelotti vai conseguir manter esse esquema tático, uma vez que, com a contusão dos laterais titulares, os lados do campo foram preenchidos por Paulo Ferreira (na esquerda) e Ivanovic (na direita). Este até foi bem no apoio no primeiro tempo, mas claramente não tem gabarito para ser uma opção ofensiva pela ala. Para a manutenção desse esquema, é preciso que os laterais apoiem bastante, até porque Deco, Lampard e Ballack têm uma tendência natural a afunilar o jogo pelo meio. Contra Bolton e companhia, dá certo. O verdadeiro teste será na Champions League.

Por Gabriel Innocentini

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

City na segunda divisão inglesa?

Não, o Manchester City não vai cair para segunda divisão inglesa. Até porque é muito provável que consiga até mesmo uma vaga na próxima Champions League. Mas se existem torcedores do City que são supersticiosos, talvez eles sintam um frio na barriga com o ótimo desempenho dos azuis reais de Manchester no começo da temporada.

"Por quê?" perguntarão os curiosos.

A atual campanha do City é a melhor desde 82/83. O time conqusitou 4 vitórias e perdeu apenas uma partida, justamente o clássico contra o United na rodada passada por 4 a 3. Em 82/83, o time teve essa mesma porcentagem de pontos, mas caiu muito de produção e terminou em vigésimo lugar. Como haviam 22 participantes no campeonato e caíam 3, o City foi parar na segundona.

Para o City cair para a segunda divisão só se o sheik do Grupo Abu Dhabi falir e não tiver condições de arcar com salários. Aí a próprio Federação Inglesa rebaixaria o clube. Mas considerando-se que ele gastou mais de 150 milhões de euros em contratações, está meio distante.

Manchester tem melhor começo das últimas 4 temporadas

Mesmo sem Cristiano Ronaldo - que vai sobrando na Liga Espanhola por enquanto -, o Manchester United tem o melhor começo de temporada levando-se em consideração as últimas 4. Vale lembrar que o MAnchester é o atual tricampeão inglês.

Na atual temporada foram 5 vitórias em 6 jogos (83% de aproveitamento).

Em 2008/09, foram 3 vitórias, 2 empates e uma derrota (61% de aproveitamento).

Em 2007/08, a campanha foi idêntica a da temporada seguinte: aproveitamento de 61%.

Em 2006/07, foram 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota (aproveitamento de 72%).

Vale destacar ainda que os Red Devils na atual temporada já bateram o Manchester City e o Arsenal, ou seja, não pegaram somente molezas pela frente. O principal problema é que o Chelsea também está muito bem. A disputa deve seguir parelha até o final do campeonato. E não esqueçamos do Liverpool, outro que deve brigar pelo título da Premier League.

Igor Sternieri

Totti-dependência?

Creditar todo um trabalho (e bom trabalho diga-se de passagem sob o comando de Luciano Spalletti na Roma) ao desempenho de apenas um jogador é um tanto quanto complicado para não dizer insano. Mas é fato que quando Totti está em um bom momento tecnicamente e sobretudo fisicamente a Roma apresenta algo a mais. O capitão romanista, além de ser uma das bandeiras dos gialorossi, é também o jogador mais técnico e decisivo. E os números comprovam isso.

Na temporada 2008/09 em que a Roma sofreu para conseguir uma vaga na Liga Europa - sexta colocada, tendo de disputar a fase preliminar da competição -, Totti sofreu com contusões e atuou pouco. Considerando apenas as partidas da Série A italiana, foram 23 partidas das 38 possíveis, com 13 gols marcados. Nos jogos em que Totti marcou gol, a Roma teve aproveitamento de 78% (26 pontos em 33). Quando Totti esteve ausente ou não balançou as redes, o aproveitamento cai para 45% (37 pontos de 81 possíveis).

Em 2007/08, ano em que a Roma foi vice-campeã, Totti disputou 25 jogos e marcou 14 gols. Poucos jogos também. Nessa temporada a "dependência" não é tão gritante, já que a Roma tinha um time em ótima fase, com Mancini e Taddei sobrando nas pontas em um esquema extremamente ofensivo que possibilitava o time jogar pelos lados do campo e em velocidade. Quando Totti marcou gols, a Roma conquistou 25 de 33 pontos (75%). Sem Totti em campo ou sem o capitão assinalar gols conquistou 57 de 81 (70%).

Como a Roma não tem mais jogadores voando como Mancini e Taddei em 2007/08, como o comando técnico saiu de Spalletti para Ranieri, é bem provável que os números da "Totti-dependência" sejam mais semelhantes ao da temporada 2008/09.

Na atual temporada, Totti já tem 4 gols em 5 partidas. E Roma vai mal das pernas dentro de campo. E fora também, já que a pressão sobre Rosella Sensi, proprietária do time, cresce a cada dia. Cada vez mais a torcida protesta pedindo a venda do clube para alguém que tenha condições financeiras de investir no time.

Igor Sternieri

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Nem só de coincidências vive o futebol

A campanha do Tottenham na temporada 2009/10 é animadora. Já são 4 vitórias em quatro jogos, sendo que um desses triunfos foi sobre o Liverpool. A última vez que os Spurs começaram tão bem um campeonato inglês foi no longíguo ano de 1960. Naquela temporada, os Spurs venceram as 11 primeiras partidas e foram campeões nacionais pela segunda e última vez na sua história. A primeira foi em 50/51.

O time campeão de 60/61 teve um ataque letal ao anotar 115 gols em 42 jogos, média de 2,73. Na atual temporada, os Spurs marcaram 11 tentos em 4 jogos, médio de 2,75. Sinal de que a fila vai acabar? Calma, muita calma.

A campanha dos Spurs é animadora nos números, principalmente quando comparada com a temporada passada, quando o desempenho inicial foi pífio sob o comando de Juande Ramos. O time investiu em bons nomes, como Defoe, Crouch, Kranjcar, Bassong, embora tenha pagado valores exorbitantes por alguns deles. Manteve a boa base de jogadores da temporada passada, como Keane, Modric, Bentley, Lenon, Jenas. Perda considerável apenas o volante Zokora, até o momento bem substituído por Palacios. Modric enfim jogando o futebol que se espera dele.

Ainda assim, vai ser difícil sonhar com algo acima de Liga Europa, talvez com sorte beliscar um título de Copa da Inglaterra ou Copa da Liga Inglesa. E essa conversa mole toda, o que significa? Apenas que é difícil ser time médio na Inglaterra. Ao menos quando não se tem um Abramovich por trás ou um grupo Abu Dhabi.

Igor Sternieri

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Eduardo da Silva está de volta

O brasileiro, naturalizado croata, Eduardo da Silva voltou ontem a disputar uma partida oficial pelo Arsenal. E voltou em grande estilo na vitória por 4 a 0 sobre o Cardiff pela Copa da Inglaterra. Além de boa movimentação ofensiva, foi autor de dois gols, um de cabeça, após cruzamento preciso de Vela, outro de penalti (mandrake por sinal) sofrido por ele mesmo.
O retorno de Eduardo aos gramados aconteceu uma semana antes de completar um ano longe das quatro linhas. Para quem não se lembra, o atacante ficou fora dos campos devido a uma entrada violenta do zagueiro Martin Taylor do Birmingham. Eduardo fraturou a perna e inclusive correu o risco de amputação. Excelente recuperação do brasileiro, que no meio de semana já havia entrada no jogo da Croácia contra Romenia.
A volta de Eduardo é em primeiro lugar uma baita notícia a todos que gostam de futebol, mas sobretudo para o técnico Arsene Wenger. Nos duelos de oitavas de final contra a Roma pela Champions League, a entrada do brasileiro pode dar muita força ofensiva para o ataque dos Gunners, visto que o togolês Adebayor está contundido e é duvida. Assim, Wenger pode deixar o não muito habilidoso com a bola nos pés Bendtner como opção para o segundo tempo. O dinarquês é daqueles jogadores que são úteis no elenco, mas que não devem ser a esperança de gols. Contra o fraco Cardiff, Bendtner até teve uma boa atuação, porém perdeu gols incríveis. É verdade que o garoto tem amadurecido e até melhorado seu futebol (tem feito jogadas pelos lados do campo!!!), já tem 8 gols na temporada e alguns até decisivos, mas não esperem dele técnica refinada ou que seja o jogador capaz de decidir as partidas mais importantes.
Outra boa notícia é que o time misto de Wenger teve outra boa atuação, com destaque também para Nasri e Vela jogando pelos lados e invertendo de posição com muita desenvoltura. Talvez seja o momento de Wenger apostar em Vela e deixar Eboue no banco.
Contra o time galês, o Arsenal apresentou o futebol vistoso que todos os amantes do futebol adoram ver. O problema é manter esse ritmo, de passes rápidos e de primeira, com jogadas pelas duas pontas, contra a Roma, time muito superior ao Cardiff e em melhor momento técnico do que os Gunners.
Para suprir a ausência de Fábregas, é necessário que Van Persie, o principal destaque dos ingleses na temporada (artilheiro e maior assistente do Arsenal na Premier League) atue bem e sobretudo não se contunda. O holandês em forma é excelente arma ofensiva. Vale lembrar que o russo Arshavin não pôde ser inscrito na Champions por já ter jogado pelo Zenit. Vai ser parada díficil se o Arsenal não jogar bem. Se jogar tudo o que pode, a parada torna-se até fácil.

Igor Sternieri

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sem palavras

O que falar de uma defesa que não toma gol há 12 jogos? Assim é o sistema defensivo do Manchester United. Qualquer elogio é pouco, além de ser mera formalidade.

Igor Stenieri

Um Napoli em queda

O Napoli vem caindo de produção. Tanto na tabela como no futebol. Os napolitanos não têm time para disputar a dianteira da tabela, como ocorreu no início da temporada, mas possuem time para tentar beliscar uma vaga na Champions, apesar de ser mais próvavel uma para a Copa da Uefa. Mas para isso precisa se recuperar dentro de campo.

Boa parte do sucesso do time vem do técnico Edy Reja, que fez (e faz) ótimo trabalho à frente do clube nas últimas temporadas, e também do bom desempenho de alguns jogadores cruciais no esquema de jogo da equipe. Lavezzi, Hamsik e Maggio são os principais deles. Destes, apenas o argentino continua apresentando um bom futebol, embora na última partida contra a Udinese tenha perdido duas chances claras de gol, custaram os 3 pontos.

Hamsik, apesar do gol contra o time de Údine, teve uma atuação discreta, diferentemente do começo da temporada, pegou pouco na bola, escondendo-se muitas vezes atrás dos marcadores, ele é uma importante arma para chegar com a bola dominada em velocidade ao ataque. Sem a mobilidade de Hamsik o Napoli perde muito, sobretudo nos contra-ataques.

Maggio também está em baixa, errando a maioria dos cruzamentos, o que faz com que o Napoli perca uma importante arma ofensiva, já que geralmente tem o grandalhão Denis dentro da área.

Essa queda de produção de jogadores cruciais revela os problemas que a equipe tem e que antes podiam até passar despercebidos, como a falta de um bom banco de reservas, atacantes mais consistentes e habilidosos do que Zalayeta e Denis, volantes com mais mobilidade do que Gargano e Blasi, que são sobretudo bons marcadores. Mas, talvez, o principal problema da equipe não esteja em nenhum desses pontos elencados acima. O sistema defensivo do time deixou de funcionar nos últimos jogos. Nas últimas quatro partidas(3 derrotas e um empate), 9 gols sofridos, média acima de 2 por jogo. Nos outros 18 jogos da temporada, o time sofreu apenas 16, média inferior a um.

Consertar o sistema defensivo é primordial. Desorganização tática? Não, o sistema em tese continua bem arrumado, mas tem sofrido com atuações individuais ruins. A má fase deve passar, mas é bom Reja ficar de olho.

Igor Sternieri

Sobre a Juventus e a Inter

Inter e Juventus nas últimas rodadas tiveram uma queda no rendimento que vinham tendo. E essa queda é normal e esperada. Seria estranho se as duas equipes mantivessem o aproveitamento e a invencibilidade que tinham.

A Inter, nos últimos cinco jogos, empatou dois, venceu dois e perdeu um, marcando 8 pontos dos 15 disputados. Foi justamente um desses empates que interrompeu a sequência de 8 vitórias seguidas. É normal essa queda, até mesmo porque, mesmo no período invicto, o time de José Mourinho não apresentou um futebol convincente. Em muitos jogos, esteve ameaçado da derrota e muitas vitórias não representaram bem o que foram as partidas.

O mesmo raciocínio vale para Juventus, que nas últimas 4 partidas, marcou apenas 4 pontos. A Vecchia Senhora vem de duas derrotas seguidas, Udinese fora e Cagliari em casa.

Mesmo com essas quedas, a Inter é favorita ao título e a Juventus é favorita para terminar em segundo, disputando cabeça a cabeça com o Milan. O que não se pode esperar é que esses times, incluindo o Milan, apresentem um futebol convincente na maior parte dos jogos. Um jogo ou outro talvez. Nem por isso deixam de ser fortes no calcio. Infelizmente.

Igor Sternieri

Um Cagliari em alta

A vitória no sábado sobre a Juventus somente reforça o bom momento vivido pelo time do Cagliari, campeão italiano na temporada 69/70. Depois de um péssimo início de temporada, com 5 derrotas e um empate nos 6 primeiros jogos, o time dirigido por Massimiliano Allegri se recuperou e já está em sétimo com 34 pontos ganhos.

É impressionante a campanha do Cagliari a partir da sétima rodada. Foram 10 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, aproveitamento surpreendente de 68%. Se a equipe tivesse esse aproveitamento desde o início da temporada teria 44 pontos, mesma pontuação do Milan, segundo colocado.

Vale destacar que na temporada passada, o Cagliari já havia conseguido uma ótima recuperação na tabela, saindo da lanterna para terminar em décimo quarto. No primeiro turno, a equipe fez apenas 10 pontos dos 57 disputados, desempenho pífio. Mas no segundo turno, depois da chegada de Davide Ballardini ao comando do time, o Cagliari fez 32 pontos de 57, aproveitamento de 56%. Se a equipe tivesse essa porcentagem de pontos desde o início da campanha teria terminado em sexto com 63 pontos. Logicamente que todas essas hipóteses ficam na base do "SE", mas não deixam de mostrar uma equipe que sabe se recuperar na competição e que no futuro pode beliscar algo mais, caso acerte o início de temporada.

Outro aspecto interessante é que o mandatários do Cagliari sabem escolher técnico. Na temporada passada, surge um Ballardini e salva o time do rebaixamento. Quando Ballardini, hoje no Palermo, foi mandado embora por não acertar os valores da renovação de contrato, nem o mais otimista torcedor poderia imaginar que Allegri iria acertar o time como na atual temporada. Mas acertou em cheio.

O Cagliari tem uma boa equipe, manteve a base da temporada passada e conta com alguns bons jogadores como o centroavante Acquafresca, os volantes Biondini e Fini, além do atacante brasileiro Jeda. O Cagliari não tem um time brilhante, mas tem consistência no meio campo e sabe aproveitar bem os contra-ataques. Outro ponto importante é a boa chegada dos volantes ao ataque, sobretudo com Biondini pela esquerda e Fini pela direita.

Ainda é cedo para afirmar que o Cagliari pode disputar vaga nas competições europeias. Há equipes com mais opções, mas a campanha é ótima até o momento. Que prossiga, pois é bom ver equipes médias, que bem armadas, dão trabalho para os grandes.

Igor Sternieri